Todo mês chega boleto de seguro, de parcela, de rastreador. Da depreciação de caminhão não chega boleto nenhum. Ela é o valor que o caminhão perde a cada mês de uso, e por isso quase todo mundo esquece dela na conta. O problema aparece no dia de trocar de caminhão: o usado vale bem menos do que você pagou e o dinheiro para cobrir a diferença não está guardado em lugar nenhum.
A resposta curta: depreciação por mês = (quanto você pagou − quanto vai valer quando vender) ÷ meses de uso. Neste post você vê essa conta feita para um bitrem no grão, a versão por quilômetro, como usar o número no preço do frete e o que fazer com ele a partir de amanhã.
O que é a depreciação do caminhão
Depreciação é a perda de valor do caminhão com o tempo e com o uso. Um cavalo novo que custou R$ 800 mil não vale R$ 800 mil depois de cinco anos de estrada. A diferença entre o preço de compra e o preço de venda é custo do seu negócio, tanto quanto o diesel. Só que ele não sai do caixa aos poucos: você paga tudo na compra e só descobre o tamanho do prejuízo na venda.
É por isso que ela é um custo fixo: o caminhão perde valor rodando ou parado no pátio, e a conta precisa ser dividida pelos meses e pelos quilômetros que ele trabalha.
Como calcular a depreciação do caminhão
Você precisa de três números:
- Valor de compra: o que você pagou (ou o que o caminhão vale hoje, se ele já é seu há tempo).
- Valor de venda previsto: quanto você acha que vai conseguir nele quando trocar. Olhe a tabela Fipe de caminhões e anúncios de caminhões do mesmo modelo, com a idade e a quilometragem que o seu terá na época da troca.
- Tempo de uso: quantos anos você pretende ficar com ele.
A conta é:
Depreciação por ano = (valor de compra − valor de venda previsto) ÷ anos de uso
Depois divida por 12 para ter o valor do mês. Faça a conta separada para o cavalo e para o implemento, porque cada um perde valor num ritmo diferente. A carreta costuma durar bem mais que o cavalo.
Exemplo completo: um bitrem no grão
Os números abaixo são exemplo, mas são realistas para 2026. Um dono de frota comprou um cavalo 6x4 novo e um bitrem graneleiro novo. Pretende trocar o cavalo em 5 anos e ficar 10 anos com o bitrem.
| Item | Cavalo 6x4 | Bitrem graneleiro |
|---|---|---|
| Valor de compra | R$ 800.000 | R$ 400.000 |
| Valor de venda previsto | R$ 440.000 | R$ 160.000 |
| Valor que vai perder | R$ 360.000 | R$ 240.000 |
| Anos de uso | 5 | 10 |
| Depreciação por ano | R$ 72.000 | R$ 24.000 |
| Depreciação por mês | R$ 6.000 | R$ 2.000 |
O conjunto perde R$ 8.000 por mês, ou R$ 96.000 por ano. É mais do que o salário do motorista e, em muita frota, mais do que o seguro.
Agora por quilômetro. Se esse conjunto roda 11.000 km por mês:
R$ 8.000 ÷ 11.000 km = R$ 0,73 por km
Esses R$ 0,73 entram no seu custo por quilômetro junto com diesel, pneu e manutenção. Em uma viagem de 1.800 km (ida carregado e volta vazio), são cerca de R$ 1.310 só de depreciação. Se o frete não paga isso, você está trocando patrimônio por dinheiro de giro.
A versão por quilômetro rodado
Tem gente que prefere calcular a depreciação pelo quilômetro, e faz sentido para caminhão que roda muito. Se o cavalo do exemplo vai rodar 132 mil km por ano durante 5 anos, são 660 mil km de vida com você:
R$ 360.000 ÷ 660.000 km = R$ 0,55 por km só do cavalo
A vantagem: no mês que o caminhão roda mais, ele desgasta mais e a conta acompanha. No mês que fica parado na oficina, a depreciação por km cai, mas lembre que o caminhão continua envelhecendo. Para uma frota pequena, a conta por mês é mais simples e já resolve.
Caminhão quitado não custa nada?
Esse é o erro mais caro do assunto. Enquanto o caminhão está financiado, a parcela lembra todo mês que ele custa. Quando a última parcela é paga, parece que o caminhão "virou lucro". Não virou.
Veja o mesmo bitrem, já quitado, num mês normal de safra:
| Conta do mês | Sem depreciação | Com depreciação |
|---|---|---|
| Frete recebido menos diesel, pneu, manutenção, motorista, seguro e documentos | R$ 14.000 | R$ 14.000 |
| (−) Depreciação | não entra | R$ 8.000 |
| Lucro | R$ 14.000 | R$ 6.000 |
Quem olha a coluna da esquerda acha que ganha R$ 14 mil por mês com esse caminhão e gasta tudo. Daqui a cinco anos, vende o cavalo usado por R$ 440 mil e precisa de R$ 800 mil (ou mais) para o novo. Faltam R$ 360 mil, e o dono vai ao banco de novo.
A parcela do financiamento mistura duas coisas: os juros do banco e a devolução do dinheiro que pagou o caminhão. Quando o financiamento acaba, os juros somem. A perda de valor, não. Por isso o post de custos fixos e variáveis do caminhão coloca a depreciação no lugar da parcela quando o caminhão é quitado.
Depreciação do contador x depreciação do dono
Se você tem empresa, o contador provavelmente já lança depreciação no balanço. Essa depreciação segue regras da Receita Federal e serve para calcular imposto. Ela usa prazos e porcentagens fixos, iguais para todo mundo.
A depreciação que interessa para decidir frete é outra: a do mercado, quanto o seu caminhão vai valer de verdade quando você vender. Um caminhão bem cuidado, de marca com boa revenda, perde menos. Um caminhão que roda em estrada de terra todo dia perde mais. Os dois números podem ser bem diferentes, e tudo bem. Use o do contador para o imposto (e tire as dúvidas fiscais com ele) e o seu para a gestão.
Como colocar a depreciação no preço do frete
Com o valor por mês e por quilômetro na mão, ele entra no frete do mesmo jeito que os outros custos fixos:
- Some ao custo por km. Diesel, pneu e manutenção sozinhos dão um custo bonito e falso. O post sobre custo por quilômetro mostra a conta inteira, e a calculadora de custo por km já tem um campo para a depreciação e os outros fixos.
- Divida pelos dias trabalhados. Se o caminhão faz 20 dias de viagem por mês, cada dia precisa pagar R$ 400 de depreciação no exemplo. Frete que pede dois dias de fila está comendo R$ 800 de patrimônio.
- Não aceite como regra frete que só paga o variável. Frete que cobre diesel e pedágio mas não cobre a depreciação até pode valer para não voltar vazio. Como rotina, ele consome o caminhão.
O que fazer a partir de amanhã
- Anote o valor de compra de cada cavalo e de cada implemento. Se não lembra, use o valor de mercado de hoje como ponto de partida.
- Defina por quanto tempo vai ficar com cada um e estime o valor de venda olhando anúncios e a tabela Fipe.
- Faça a conta por mês e por km, caminhão por caminhão. A média da frota esconde o caminhão velho que já não se paga.
- Lance a depreciação como um custo fixo do mês na sua planilha ou sistema, para que ela apareça no lucro de cada caminhão.
- Separe todo mês uma parte desse valor numa conta para a troca. Mesmo que não seja o valor inteiro, a entrada do próximo caminhão sai daí, e não do cheque especial.
- Revise uma vez por ano. Se o preço do usado subiu ou caiu, ajuste o valor de venda previsto.
Na Frotze
No controle de frota da Frotze, as viagens e os abastecimentos chegam por foto no WhatsApp, e as despesas fixas que se repetem todo mês ficam cadastradas uma vez. Lançando a depreciação junto com os outros custos fixos, o lucro que aparece na tela é o de verdade, e fica fácil ver qual caminhão está pagando a própria troca e qual não está. E a manutenção em dia, com aviso antes da troca de óleo e da revisão, é o que segura o valor de revenda. Dá para testar grátis por 14 dias.


