Pergunte a dez donos de caminhão quanto custa rodar um quilômetro e você vai ouvir dez respostas na base do "mais ou menos". O problema é que frete não se fecha no "mais ou menos". Quando o preço do quilômetro rodado é chute, você aceita frete que dá prejuízo achando que está lucrando, e recusa frete bom achando que está barato.
O custo por quilômetro, o famoso CPK, é a conta que tira esse chute do caminho. Ele responde, em um número só, quanto sai do seu bolso a cada quilômetro que a roda gira. Neste post você vai aprender a calcular esse número do jeito certo, com a fórmula, a lista completa de custos e um exemplo do começo ao fim.
O que é custo por quilômetro (CPK)
O custo por quilômetro é quanto a sua operação gasta, em média, para rodar um único quilômetro. É a soma de tudo que o caminhão consome em um período dividida pela distância que ele percorreu nesse mesmo período.
Repare na palavra "tudo". O CPK não é só diesel. Ele junta o combustível, o desgaste do caminhão, o salário do motorista, o pedágio, a manutenção, o seguro e até a parcela do financiamento. Cada um desses gastos é um pedacinho do custo de cada quilômetro, e é a soma deles que diz se o frete compensa.
Por que o CPK é a conta mais importante da frota
Sem o custo por quilômetro, você não tem como saber se um frete vale a pena antes de aceitar. Com ele, a conta vira automática: pega o valor que o embarcador oferece, divide pela distância, e compara com o seu CPK. Se o que ele paga por quilômetro é maior que o seu custo por quilômetro, sobra dinheiro. Se é menor, você está pagando para trabalhar.
O CPK também é o que revela qual caminhão da frota está saindo caro. Dois veículos podem faturar parecido no mês e ter custos por quilômetro muito diferentes, um bebendo mais diesel, outro parando mais na oficina. Sem separar o custo por quilômetro de cada um, esse rombo fica escondido na média da frota.
A fórmula do custo por quilômetro
A fórmula é simples:
CPK = custo total no período ÷ quilômetros rodados no período
Se quiser fazer a conta agora, com os números do seu caminhão, use a calculadora gratuita de custo por quilômetro: você preenche os custos e o CPK aparece na hora.
O que dá trabalho não é a divisão. É juntar o custo total de verdade, sem esquecer nada. Um CPK que só considera diesel e pedágio parece ótimo, e é mentira: ele ignora metade da conta. Por isso o próximo passo é montar a lista completa de custos.
Quais custos entram na conta
Os custos da frota se dividem em dois grupos, e os dois entram no CPK.
Custos variáveis
São os que sobem e descem conforme o caminhão roda. Quanto mais quilômetro, maior esse gasto:
- Diesel, o maior deles na maioria das operações;
- Pneus, que se gastam por quilômetro rodado;
- Manutenção e peças, da troca de óleo à reforma do motor;
- Pedágio da rota;
- Arla e outros fluidos.
Custos fixos
São os que continuam correndo mesmo com o caminhão parado na garagem. Eles precisam ser diluídos nos quilômetros do período:
- Salário e encargos do motorista;
- Parcela do financiamento ou do leasing do caminhão;
- Seguro do veículo e da carga;
- Licenciamento, IPVA e documentação;
- Rastreamento e mensalidades de sistema;
- Depreciação, ou seja, o quanto o caminhão perde de valor com o uso.
A depreciação é a que mais gente esquece, e é justamente ela que morde o resultado lá na frente, na hora de trocar de caminhão. Deixar ela de fora faz o CPK parecer menor do que é.
Exemplo: calculando o CPK passo a passo
Vamos a um exemplo. Os números abaixo são ilustrativos, só para mostrar a mecânica da conta. Imagine um caminhão que rodou 10.000 km em um mês e teve os seguintes gastos:
| Custo | Valor no mês |
|---|---|
| Diesel | R$ 18.000,00 |
| Pedágio | R$ 2.400,00 |
| Manutenção e pneus | R$ 3.200,00 |
| Salário e encargos do motorista | R$ 4.500,00 |
| Parcela do caminhão | R$ 6.000,00 |
| Seguro, documentação e rastreio | R$ 1.900,00 |
| Custo total | R$ 36.000,00 |
Agora é só aplicar a fórmula:
CPK = R$ 36.000,00 ÷ 10.000 km = R$ 3,60 por quilômetro
Pronto. Esse caminhão custa R$ 3,60 para rodar cada quilômetro. Se aparece um frete de 500 km pagando R$ 1.500,00, dá R$ 3,00 por quilômetro: abaixo do custo, prejuízo de R$ 0,60 a cada quilômetro. Já um frete de 500 km a R$ 2.200,00 dá R$ 4,40 por quilômetro, e aí sim sobra. Antes de conhecer o CPK, os dois fretes pareciam iguais, "meio mil reais a viagem".
Erros comuns que estragam o cálculo
- Esquecer os custos fixos. Só diesel e pedágio dão um CPK bonito e falso.
- Misturar os caminhões. A média da frota esconde o veículo que está no prejuízo. Calcule o custo por quilômetro de cada um.
- Contar quilômetro só com carga. O caminhão gasta rodando vazio também. Use a quilometragem total, não só a dos trechos faturados.
- Ignorar a depreciação. O caminhão está perdendo valor a cada viagem, e essa perda é custo real.
- Fazer a conta uma vez por ano. Diesel muda, rota muda, custo muda. O CPK precisa ser acompanhado mês a mês.
Como usar o CPK no dia a dia
O custo por quilômetro deixa de ser teoria quando vira hábito. Com ele na ponta da língua você negocia frete com chão firme, sabe na hora se a proposta cabe, e enxerga qual caminhão puxa o resultado para baixo. É também o primeiro passo para a conta que todo dono quer fechar de verdade: o lucro por viagem, que pega esse custo e responde quanto sobrou em cada frete.
O trabalhoso é manter esse número atualizado. Fazer na planilha funciona no começo, mas exige lançar cada gasto, cuidar das fórmulas e refazer a conta toda vez que o diesel sobe. Uma fórmula quebrada ou um custo esquecido, e o CPK inteiro mente sem você perceber.
Como acompanhar o CPK sem planilha
É exatamente esse trabalho repetido que a Frotze tira das suas costas. Você lança a viagem e os custos, e a Frotze calcula o custo por quilômetro de cada caminhão sozinha, atualizado a cada lançamento, sem fórmula para quebrar. Aí o CPK para de ser aquela conta que você faz uma vez e esquece, e vira um número que está sempre à mão na hora de decidir.


