Lucro por viagem: como saber se o frete realmente compensa

Descubra como calcular o lucro por viagem de caminhão de verdade, separando bruto de líquido e incluindo os custos que somem na hora de fechar o frete.

Por Victor Campos

Carreta rodando em rodovia ao entardecer, com o sol se pondo no horizonte

"Fechei um frete de dez mil reais." A frase soa bem, e é a mais perigosa da estrada. Dez mil reais é faturamento, é o que entra. Não é o que sobra. Entre o valor do frete e o dinheiro que fica no seu bolso tem diesel, comissão, pedágio, desgaste e um monte de custo que some da memória na hora da conta.

O lucro por viagem é o número que fica quando você tira tudo isso do valor do frete. É a diferença entre trabalhar de graça e ganhar dinheiro, e a maioria dos donos de frota nunca calcula direito. Neste post você vai ver como separar o bruto do líquido, quais custos entram na viagem e como saber, antes de aceitar, se o frete realmente compensa.

Bruto não é lucro

O erro começa na palavra. Muita gente chama de "lucro" o valor do frete, e trata o que sobra como se fosse detalhe. É o contrário. O valor do frete é o bruto: o total que o embarcador paga. O lucro é o líquido: o que resta depois de pagar todos os custos daquela viagem.

Uma viagem de bruto alto pode dar líquido baixo, ou até negativo, se a rota é cara, o diesel subiu ou a comissão é gorda. E uma viagem de bruto modesto pode ser a mais rentável do mês, se o custo dela é enxuto. Enquanto você olhar só o valor do frete, essa diferença fica invisível.

O que entra no custo de uma viagem

Para achar o líquido, você precisa listar tudo que aquela viagem específica consumiu. Os principais:

  • Diesel do trecho, ida e, quando for o caso, a volta;
  • Comissão do motorista, que costuma ser um percentual do frete;
  • Pedágio da rota;
  • Adiantamento e diária do motorista na viagem;
  • Manutenção e pneus, a parcela de desgaste daquele trecho;
  • Custos fixos rateados, o pedaço do seguro, da parcela do caminhão e da documentação que cabe àquela viagem.

Os quatro primeiros são fáceis de lembrar porque saem do bolso na hora. Os dois últimos são os que somem, e são justamente os que transformam um frete "bom" em prejuízo. Se você ainda não sabe quanto o seu caminhão custa por quilômetro rodado, vale ler antes o post sobre custo por quilômetro: é ele que dá o número para ratear esses custos por viagem.

A conta do lucro por viagem

A fórmula é direta:

Lucro da viagem = valor do frete − todos os custos da viagem

Se quiser testar com um frete real agora, use a calculadora gratuita de lucro por viagem: você preenche o frete e os custos e o líquido aparece na hora.

Simples de escrever, trabalhosa de fazer certo, porque depende de você não esquecer nenhum custo. Um frete que parece dar 40% de margem pode fechar em 8% quando você inclui o desgaste e o rateio do fixo. Não é pessimismo, é a conta real.

Exemplo: o frete que parecia ótimo

Vamos a um exemplo, com números ilustrativos só para mostrar a mecânica. Um frete de R$ 8.000,00 para um trecho de 1.000 km:

Item Valor
Valor do frete (bruto) R$ 8.000,00
Diesel − R$ 3.200,00
Comissão do motorista (12%) − R$ 960,00
Pedágio − R$ 700,00
Manutenção e pneus (desgaste) − R$ 600,00
Rateio dos custos fixos − R$ 1.500,00
Lucro da viagem (líquido) R$ 1.040,00

O frete de "oito mil" deixou R$ 1.040,00 no bolso. Ainda é lucro, e é um lucro que a conversa de bar chamaria de oito mil. A diferença entre os dois números é o que separa quem sabe o que ganha de quem só sabe o que faturou.

A cilada do retorno vazio

Tem um custo que quase nunca aparece na conta e derruba muita viagem: a volta vazia. Se o caminhão sobe a carga e desce sem frete de retorno, ele gasta diesel, roda o pedágio e desgasta o veículo sem faturar um centavo na volta. Esse custo é da viagem, e precisa entrar no cálculo do líquido.

Um frete de ida que parece excelente pode virar mediano quando a volta é vazia. Por isso o frete de retorno, mesmo mais barato, muitas vezes salva o resultado: ele paga a estrada que o caminhão ia rodar de qualquer jeito.

Como decidir antes de aceitar

O lucro por viagem só tem valor se você calcula antes de dar a palavra, não depois. A rotina é esta:

  1. Pegue o valor que o embarcador oferece.
  2. Estime os custos daquela viagem, incluindo diesel, comissão, pedágio, desgaste, rateio do fixo e a volta.
  3. Veja o que sobra.
  4. Compare com outras cargas disponíveis: a melhor não é a de maior frete, é a de maior líquido.

Faça isso algumas vezes e você vai recusar frete que antes aceitaria de olhos fechados, e aceitar carga que antes acharia pouca. É a mesma operação, com uma conta a mais.

O líquido na hora, sem fórmula

O problema de fazer isso na mão é o tempo. Estimar o líquido de cada frete no meio da negociação, com o embarcador esperando resposta, é o tipo de conta que ninguém para para fazer, e aí volta o chute. Fazer na planilha ajuda, até a fórmula quebrar ou você esquecer de atualizar o preço do diesel.

É aí que entra a Frotze. Você lança a viagem e os custos, e ela calcula o líquido na hora, viagem por viagem, caminhão por caminhão. Em vez de descobrir no fim do mês que aquele frete "bom" foi o que menos rendeu, você vê o que sobra enquanto ainda dá tempo de decidir.

Victor Campos

Cofundador da Frotze

Cofundador da Frotze. Trabalha com produto e design, e passa os dias conversando com dono de frota para transformar planilha em decisão do dia a dia.

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