Custos fixos e variáveis do caminhão: a lista completa para não errar o frete

Entenda a diferença entre custos fixos e variáveis do caminhão, veja a lista completa de cada um e aprenda por que essa separação define o preço do seu frete.

Por Victor Campos

Caminhões estacionados em pátio de transportadora ao amanhecer

Todo dono de frota sabe que caminhão custa caro. O que pouca gente separa é quando cada custo acontece: uma parte sai do bolso rodando ou parado, e outra só existe quando a roda gira. Essa divisão, entre custos fixos e variáveis, parece coisa de contador, mas é ela que explica por que caminhão parado dá prejuízo e por que um frete barato às vezes vale a pena e às vezes é armadilha.

Neste post você vai ver o que entra em cada grupo, a lista completa dos dois lados, os custos que todo mundo classifica errado e como usar essa separação na hora de precificar.

A diferença em uma frase

Custo fixo é o que você paga todo mês, rode o caminhão ou não. Custo variável é o que só existe quando o caminhão roda, e cresce junto com a quilometragem.

O teste é simples: imagine o caminhão parado no pátio por trinta dias. Tudo que ainda assim vence no fim do mês é fixo. Tudo que zerou porque ele não rodou é variável.

A lista dos custos fixos

São as contas que chegam por mês, independentes de quilômetro:

  • Parcela do financiamento ou, se o caminhão é quitado, a depreciação (ele perde valor todo mês, rodando ou não);
  • Salário do motorista e os encargos, a parte que não depende de viagem;
  • Seguro do cavalo, do implemento e da carga;
  • IPVA, licenciamento e documentação, divididos por doze;
  • Rastreador e mensalidades de sistema, gerenciamento de risco, associação;
  • Pátio ou garagem, se você paga para estacionar;
  • Custos administrativos: contador, telefone, a estrutura mínima da operação.

Repare que é dinheiro saindo mesmo com o caminhão parado. É por isso que veículo encostado é prejuízo silencioso: o fixo continua correndo e não entra frete para cobri-lo.

A lista dos custos variáveis

São os que a roda gera:

  • Diesel, o maior de todos; quem manda nele é a média de consumo do caminhão;
  • Arla 32;
  • Pneus, o desgaste por quilômetro rodado;
  • Manutenção preventiva e corretiva: óleo, filtros, freio, embreagem, oficina;
  • Pedágio das rotas;
  • Comissão do motorista, quando é percentual do frete;
  • Diárias e despesas de viagem: alimentação, estadia, chapa, balança.

A pegadinha dos variáveis é que vários deles não saem do bolso na hora. O pneu você compra a cada tantos meses, mas gasta um pouquinho dele a cada quilômetro. Se esses custos "invisíveis" não forem rateados por km, o frete parece lucrativo hoje e a conta explode no mês da troca.

Os custos que todo mundo classifica errado

  • Salário vs. comissão. O salário do motorista é fixo; a comissão por viagem é variável. Quem mistura os dois erra a conta dos dois lados.
  • Manutenção. Parece imprevisível, mas no acumulado ela se comporta como variável: quanto mais roda, mais gasta. O certo é provisionar um valor por quilômetro, não esperar quebrar.
  • Depreciação. O caminhão quitado "não custa nada" até o dia de trocar por outro. Ignorar a depreciação é achar que está lucrando enquanto come o patrimônio.
  • Pneu. Ninguém lança pneu no custo da viagem, e é um dos maiores custos por quilômetro da frota.

Por que essa separação define o preço do frete

Somando tudo, os dois grupos viram um número só, o custo por quilômetro. Mas a separação continua valendo na hora de decidir, porque ela responde perguntas diferentes:

  • O fixo define quanto o caminhão precisa faturar por mês só para se pagar. Se o fixo é R$ 15.000, esse é o mínimo que precisa entrar antes de qualquer lucro.
  • O variável define o piso de qualquer frete. Aceitar frete abaixo do custo variável é pagar para trabalhar, sempre. Acima do variável mas abaixo do custo total, pode valer a pena pontualmente, para não voltar vazio, porque ajuda a diluir um fixo que existiria de qualquer jeito.

É essa lógica que explica o frete de retorno mais barato: ele não cobre o custo cheio, mas cobre o variável e ainda sobra algo para o fixo. O perigo é transformar exceção em regra, porque frota que só roda no piso não fecha o mês. A conta de cada rota, com todos os custos no lugar, é o lucro por viagem.

Como acompanhar sem se perder

O mais difícil dos custos não é entender, é registrar. O fixo é fácil, chega de boleto. O variável nasce espalhado: um abastecimento aqui, um pedágio ali, uma troca de pneu dali a três meses. Numa planilha de controle de frota dá para começar, separando uma aba para cada grupo e rateando os custos por quilômetro.

Na Frotze, esse trabalho é o que o produto faz sozinho: você lança as viagens, os abastecimentos e as despesas, e ela separa o que é da viagem e o que é da estrutura, mostrando o custo por quilômetro e a margem líquida de cada caminhão. O resultado é saber, sem domingo de calculadora, se o frete que acabou de aparecer cobre só o diesel ou paga a operação inteira.

Comece hoje pelo teste do pátio: liste tudo que a sua frota pagaria com os caminhões parados por um mês. Esse número é o seu fixo, e é ele que os seus fretes precisam vencer antes de dar um real de lucro.

Victor Campos

Cofundador da Frotze

Cofundador da Frotze. Trabalha com produto e design, e passa os dias conversando com dono de frota para transformar planilha em decisão do dia a dia.

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