Controle de abastecimento de caminhão: como anotar e achar o caminhão que bebe demais

O que anotar em cada abastecimento, como fazer a conta do tanque cheio mesmo com parcial no meio e como descobrir, no fim do mês, qual caminhão está queimando dinheiro.

Por Victor Campos

Caderno espiral aberto com anotações de valores à caneta azul, uma caneta esferográfica em cima e cupons fiscais amassados por baixo, sobre uma mesa clara

O diesel é a maior conta da frota, e quase sempre é a mais mal anotada. O cupom fica no porta-luvas, o motorista lembra do hodômetro "mais ou menos", e no fim do mês sobra uma soma de reais sem dizer nada. O controle de abastecimento de caminhão serve para transformar esse monte de cupom em uma resposta simples: qual caminhão está gastando mais do que devia, e quanto isso custa.

Aqui vai o passo a passo: o que anotar em cada parada no posto, como fazer a conta mesmo quando o motorista não completa o tanque, um exemplo de três caminhões com os números do mês e os sinais que mostram que tem diesel sumindo.

Resposta rápida: em cada abastecimento, anote data, caminhão, hodômetro, litros, valor pago, posto e se completou o tanque. A média de consumo só se calcula de tanque cheio a tanque cheio. Compare a média de cada caminhão com a meta dele: a diferença em litros, vezes o preço do litro, é o dinheiro que ficou no tanque.

O que anotar em cada abastecimento

Sete informações bastam. Se faltar uma, a conta do mês fica capenga.

O que anotar Por que importa
Data Mostra abastecimento muito perto do anterior
Caminhão (placa) Separa a média de cada um
Hodômetro Sem ele não existe km rodado nem média
Litros A base da média de consumo
Valor pago Dá o preço do litro e o custo do mês
Posto e cidade Mostra posto fora da rota
Completou o tanque? Diz se aquele abastecimento fecha a conta da média

O hodômetro é o campo que mais falha. Combine com o motorista uma regra só: foto do painel junto com a foto do cupom, no mesmo instante, toda vez. É o que dá para conferir depois sem discussão.

Como calcular a média com abastecimento parcial no meio

A conta da média é quilômetros rodados divididos por litros. O problema é que só dá para saber quanto o caminhão queimou quando o tanque volta ao mesmo ponto: cheio. Por isso a regra é medir de tanque cheio a tanque cheio, como explicado no post sobre média de consumo do caminhão.

Na estrada, nem sempre o motorista completa. Tudo bem: o abastecimento parcial não fecha conta nenhuma, só soma os litros dele no próximo tanque cheio. Veja um exemplo de uma carreta no grão:

Data Hodômetro Litros Completou? Conta
01/10 210.000 380 sim abre a conta
04/10 210.880 440 sim 880 km ÷ 440 L = 2,00 km/L
06/10 211.300 200 não soma no próximo
08/10 211.760 240 sim 880 km ÷ (200 + 240) L = 2,00 km/L

Se você calculasse o parcial sozinho, daria 420 km ÷ 200 L = 2,10 km/L, e o fechamento do dia 08 daria 460 km ÷ 240 L = 1,92 km/L. Dois números errados que parecem certos. Somando os dois, a média verdadeira aparece. Para conferir uma conta solta, a calculadora de consumo do caminhão faz na hora.

Exemplo: o caminhão que bebe demais em uma frota de três

Um dono tem três carretas no transporte de soja e milho, todas com a mesma meta de 2,2 km/L (a média dos meses bons delas, na mesma rota). O diesel do exemplo está a R$ 7,30 o litro (na sua conta, use o preço médio que você pagou no mês). Os números são exemplo, mas a conta é a mesma para qualquer frota:

Caminhão Km no mês Litros Média Litros na meta Litros a mais Dinheiro a mais
Carreta A 9.800 4.450 2,20 km/L 4.455 0 R$ 0
Carreta B 10.200 4.640 2,20 km/L 4.636 4 R$ 29
Carreta C 9.600 4.800 2,00 km/L 4.364 436 R$ 3.183

A conta da carreta C, passo a passo:

  1. Litros que ela gastaria rodando na meta: 9.600 km ÷ 2,2 km/L = 4.364 litros.
  2. Litros que ela gastou de verdade: 4.800.
  3. Diferença: 4.800 − 4.364 = 436 litros.
  4. Em dinheiro: 436 L × R$ 7,30 = R$ 3.183 no mês.

São mais de R$ 38 mil num ano, de um caminhão só. No total do mês, os três juntos parecem normais: 13.890 litros, mais de R$ 101 mil de diesel, nada que salte aos olhos. Só aparece quando a conta é feita por caminhão. Esses litros a mais também entram no custo por km da carreta C, que fica mais caro que o das outras duas no mesmo frete.

Sinais de que tem algo errado no abastecimento

Média baixa não quer dizer roubo. Na maioria das vezes é pé pesado, pneu murcho, filtro sujo ou bico injetor ruim. Mas alguns sinais pedem uma conversa:

  • Mais litros do que cabe no tanque. Se o cupom diz mais do que o tanque comporta, aquele diesel não foi para o caminhão.
  • Abastecimento muito perto do anterior. Encher de novo depois de 200 km, sem motivo, merece pergunta.
  • Hodômetro que repete ou volta. É erro de anotação ou coisa pior. Em qualquer caso, a foto do painel resolve.
  • Posto fora da rota. Se a viagem é Sorriso a Rondonópolis, um cupom de cidade que não fica no caminho precisa de explicação.
  • Preço do litro muito diferente do normal. Pode ser só um posto caro. Pode ser cupom com valor maior que o abastecimento.
  • Média que cai de repente com um motorista e volta com outro. No mesmo caminhão e na mesma rota, aí o problema não é o caminhão.

Quando o motorista paga o diesel do bolso ou com vale, cada cupom vira despesa no acerto de viagem do motorista. Conferir litros e hodômetro antes de fechar o acerto evita pagar diesel que não entrou no tanque.

Caderno, planilha ou sistema?

O caderno funciona enquanto a frota é pequena e alguém tem paciência de fazer a conta à mão. O problema é que ninguém faz: o caderno guarda o dado, mas não compara nada.

A planilha resolve a conta. A planilha grátis de controle de abastecimento já faz a conta do tanque cheio, soma o parcial no próximo cheio e mostra, no resumo do mês, quanto cada caminhão gastou acima da meta. O risco é o de sempre: alguém esquece de lançar, a fórmula quebra, e o resumo mostra um número que ninguém confere.

O que importa é o hábito, não a ferramenta. O controle só funciona se cada abastecimento entrar no mesmo dia.

O que fazer a partir de amanhã

  1. Combine a regra das duas fotos com cada motorista: cupom e painel, sempre juntos.
  2. Peça para completar o tanque sempre que der. Cada tanque cheio fecha uma conta.
  3. Lance os abastecimentos toda semana, não só no fim do mês. Cupom velho some.
  4. Defina a meta de cada caminhão pela média dos meses bons dele, não pela do vizinho.
  5. No fim do mês, olhe os litros a mais de cada caminhão e comece pelo maior.
  6. Antes de desconfiar do motorista, confira a manutenção: pneu, filtro de ar e bico injetor.

Na Frotze

No controle de frota da Frotze, o motorista manda a foto do cupom do posto pelo WhatsApp, sem instalar nada e sem senha. A Frotze lê litros e valor, te pergunta se pode lançar, e a média de cada caminhão sai sozinha. Quando uma viagem tem consumo ou custo acima do normal daquele caminhão, ela avisa, sem esperar o fechamento do mês. Se você já tem a planilha antiga, dá para importar. Dá para testar grátis por 14 dias.

Perguntas frequentes

Como fazer o controle de abastecimento de caminhão?

Anote, em cada abastecimento, data, caminhão, hodômetro, litros, valor, posto e se completou o tanque. Calcule a média de tanque cheio a tanque cheio e compare com a meta de cada caminhão.

Abastecimento parcial entra na média?

Entra, mas não fecha conta sozinho. Os litros do parcial somam no próximo tanque cheio, e a média sai dos km entre os dois tanques cheios divididos por todos os litros do trecho.

Como saber se o motorista está desviando diesel?

Não dá para saber por um cupom só. Os sinais são litros acima da capacidade do tanque, abastecimentos muito próximos, hodômetro que repete, posto fora da rota e média que cai só com um motorista no mesmo caminhão e na mesma rota.

Victor Campos

Cofundador da Frotze

Cofundador da Frotze. Trabalha com produto e design, e passa os dias conversando com dono de frota para transformar planilha em decisão do dia a dia.

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