Custo do pneu de caminhão por quilômetro: a conta e o que faz o pneu durar mais

Descubra quanto cada quilômetro custa em pneu, com fórmula e exemplo para carreta, quando a recapagem compensa e as cinco rotinas que fazem o jogo durar mais e derrubam esse custo.

Por Victor Campos

Pilha de pneus de caminhão novos empilhados, com os sulcos em destaque

Depois do diesel, o pneu é o custo variável que mais pesa numa frota. E é o mais traiçoeiro, porque não aparece todo mês. Ele some por um semestre e volta de uma vez, num boleto de dez, quinze mil reais, sempre no mês em que o caixa estava apertado. A maioria dos donos de caminhão sabe quanto pagou no último jogo. Quase nenhum sabe o custo do pneu de caminhão por quilômetro, que é o número que realmente importa.

Neste post você vai ver como calcular esse custo, um exemplo completo para carreta, quanto a recapagem derruba a conta e, principalmente, as rotinas que fazem o mesmo pneu rodar mais quilômetros. Porque pneu é o custo em que a economia depende menos de negociar com o fornecedor e mais do que acontece no pátio.

A conta do pneu por quilômetro

A fórmula é a mais simples de toda a gestão de frota:

Custo do pneu por km = preço do pneu ÷ quilômetros que ele durou

Um pneu de R$ 2.400 que rodou 100.000 km custou R$ 0,024 por quilômetro. O mesmo pneu, num caminhão que anda descalibrado e desalinhado, dura 70.000 km e custa R$ 0,034. Parece pouco. Multiplique pelo número de pneus e pela quilometragem do ano e a diferença vira o preço de um jogo inteiro.

O que a fórmula exige é o dado que quase ninguém tem: em que quilometragem o pneu entrou e em que quilometragem saiu. Sem isso, a conta é chute, e chute em pneu costuma errar para menos.

Exemplo completo: uma carreta de 18 pneus

Um cavalo 6x2 com carreta de três eixos roda com 18 pneus. Considerando pneu novo a R$ 2.400 e vida útil de 100.000 km na primeira vida:

Conta Valor
Custo por pneu por km R$ 2.400 ÷ 100.000 km R$ 0,024
Custo do conjunto por km R$ 0,024 × 18 pneus R$ 0,43
Custo por mês, rodando 10.000 km R$ 0,43 × 10.000 km R$ 4.320
Custo por ano R$ 51.840

R$ 4.320 por mês é o que a carreta gasta em pneu mesmo no mês em que nenhum pneu foi trocado. É esse valor que precisa entrar no custo por quilômetro e no preço de cada frete, como provisão. Quem não provisiona vive seis meses achando que sobrou dinheiro e um mês achando que o problema foi o jogo de pneus.

Quando a recapagem compensa

A carcaça de um pneu de caminhão foi feita para durar mais de uma vida. A recapagem troca a banda de rodagem e devolve o pneu à estrada por uma fração do preço do novo. Um pneu recapado costuma custar entre R$ 600 e R$ 900 e render de 60.000 a 80.000 km, dependendo da qualidade da carcaça, da recapadora e do uso.

Refazendo a conta com duas recapagens:

Conta Valor
Pneu novo R$ 2.400 por 100.000 km
Primeira recapagem R$ 750 por 70.000 km
Segunda recapagem R$ 750 por 70.000 km
Custo total da carcaça R$ 3.900 por 240.000 km R$ 0,016 por km
Custo do conjunto por km R$ 0,016 × 18 pneus R$ 0,29

De R$ 0,43 para R$ 0,29 por quilômetro. Numa carreta que roda 120.000 km por ano, são quase R$ 17.000 de economia só por não jogar carcaça boa fora. A calculadora de custo do pneu por quilômetro faz essa comparação com os seus números, sem cadastro.

A recapagem só compensa se a carcaça chegar inteira. Pneu que rodou até a lona, que estourou ou que foi remendado demais não recapa. Por isso a regra de ouro: tirar o pneu para recapar com 3 a 4 mm de sulco, e não com o mínimo legal de 1,6 mm. Os últimos milímetros de borracha valem muito menos do que a carcaça que eles protegem.

O que faz o pneu durar mais

Aqui está a parte que depende de você, não do fornecedor. Cinco rotinas respondem pela maior parte da diferença entre um pneu que dura 70.000 km e um que dura 100.000:

1. Calibragem semanal. É o item mais barato e o mais ignorado. Um pneu rodando 20% abaixo da pressão certa perde por volta de 30% da vida útil, aquece mais, aumenta o risco de estouro e ainda puxa a média de consumo para baixo. Calibrar a frio, toda semana, na pressão indicada pelo fabricante para a carga que o caminhão leva.

2. Alinhamento e geometria. Caminhão desalinhado come pneu de um lado só. O sinal é desgaste irregular: um ombro mais baixo que o outro, ou o pneu "serrilhado". Alinhar a cada troca de pneu, a cada rodízio e sempre que o desgaste aparecer torto.

3. Rodízio programado. Os pneus da tração desgastam mais que os do eixo direcional, e os do eixo direcional mais que os da carreta. Trocar de posição a cada 10.000 a 15.000 km equilibra o desgaste e faz o jogo inteiro chegar junto na hora de recapar, em vez de trocar dois pneus agora, três daqui a dois meses e nunca ter um jogo uniforme.

4. Peso e velocidade. Excesso de carga e velocidade alta aquecem o pneu e aceleram o desgaste mais do que qualquer outro fator de condução. Um caminhão que roda a 90 km/h em vez de 80 pode perder de 10% a 15% da vida do pneu, além de gastar mais diesel.

5. Inspeção visual. Uma volta ao redor do caminhão antes de sair, olhando sulco, ombro, corte e bolha. Leva dois minutos e é a diferença entre tirar o pneu no pátio, com carcaça boa, e trocá-lo no acostamento, com a carcaça perdida.

Nenhuma dessas rotinas é novidade. O que falta na maioria das frotas não é conhecimento, é alguém acompanhando se elas estão sendo feitas.

Controle por pneu, não por caminhão

O jeito de saber o custo real é tratar cada pneu como um item com histórico: número de fogo ou de série, data e quilometragem em que entrou, posição no caminhão, rodízios, recapagens e a quilometragem em que saiu. Com isso você descobre coisas que a conta por caminhão esconde:

  • Qual marca ou modelo dura mais na sua operação, e não na propaganda.
  • Qual recapadora entrega carcaça que aguenta a segunda recapagem.
  • Qual caminhão ou qual motorista está gastando pneu acima da média, e por quê.
  • Quantas vidas cada carcaça está rendendo de verdade.

Na planilha de controle de frota, isso é uma aba com uma linha por pneu. Dá trabalho para manter, mas é o que transforma pneu de "gasto" em custo medido.

Os sinais de que o pneu está custando mais do que devia

  • Você não sabe quantos quilômetros o último jogo rodou. Sem esse número, não existe custo por quilômetro, e não existe como saber se a marca nova é melhor que a antiga.
  • A calibragem é "quando lembra". Se não tem dia fixo, não está sendo feita.
  • Pneus são trocados um a um, conforme vão acabando. Sinal de que não há rodízio, e de que o desgaste está desigual.
  • Pneu vai para o lixo com carcaça inteira. Cada carcaça descartada com 1,6 mm que poderia ter saído com 4 mm é uma recapagem perdida.
  • O custo de pneu só aparece no mês da troca. Se o lucro dos outros meses não desconta uma provisão, ele está inflado.

Como colocar isso na conta da viagem

O custo do pneu por quilômetro não serve só para saber quanto o pneu custa. Ele entra no preço de cada frete e no lucro de cada viagem, como parte da provisão de manutenção. No post sobre manutenção preventiva tem a faixa de referência de manutenção mais pneus por quilômetro, e no post sobre como calcular o preço do frete essa provisão aparece na conta do preço mínimo.

Na Frotze, o odômetro de cada caminhão se atualiza a cada viagem e abastecimento lançados, então a quilometragem que o pneu rodou não depende de ninguém anotar. Você cadastra a troca e a recapagem como manutenção do veículo, com o valor, e esse valor entra no custo por quilômetro e no lucro de cada viagem. A próxima calibragem, rodízio ou revisão vira um alerta no painel quando o km está chegando, em vez de uma lembrança que passa.

Comece esta semana por duas coisas: anotar a quilometragem atual de cada caminhão ao lado da data em que o jogo de pneus entrou, e marcar um dia fixo de calibragem. Em seis meses você vai ter, pela primeira vez, o custo real do pneu por quilômetro. E vai saber se o próximo jogo deve ser da mesma marca ou não.

Victor Campos

Cofundador da Frotze

Cofundador da Frotze. Trabalha com produto e design, e passa os dias conversando com dono de frota para transformar planilha em decisão do dia a dia.

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